Entrevistas - Alberto Helena Jr


1) Qual a importância de ganhar mais uma vez o troféu Ford Aceesp no ano passado?

Bom, é sempre uma alegria isso, porque representa o apoio dos companheiros, o pessoal que forma opinião e que, portanto, está habilitado talvez até mais que o leitor comum a avaliar a qualidade do trabalho dos seus parceiros, então isso é altamente envaidecedor e também estimulante. É o sétimo prêmio seguido, quer dizer não é brincadeira, eu fico muito lisonjeado, mas fico também preocupado em manter esse mesmo pique pra não deixar os meus companheiros, meus eleitores frustrados daqui pra frente, por que espero receber pelo menos mais sete prêmios.

2 ) Como o SR. acompanha a evolução da categoria dos jornalistas esportivos, e acredita que a classe hoje é mais unida?
Eu acho o seguinte, a tecnologia dos meios hoje, oferece muito mais recurso hoje em dia e acho também que há um grande número de profissionais dessa área muito habilitados pra essa função, mesmo por que muitos migraram de outras áreas para o esporte o que antigamente não acontecia. Geralmente o cronista esportivo nascia numa redação, numa rádio ou na televisão e passava o tempo inteiro praticamente nessa área, isso restringia um pouco a visão do mundo, a visão da área que ele trabalhava, hoje já há um pouco mais de abertura, por outro lado eu vejo que há um certo desprezo pelas questões históricas que representam uma faceta muito importante no esporte, sobretudo no futebol, há muita confusão quando se fala em esquemas táticos, não há um conhecimento mais apurado disso, quando se fala em estilos e características de jogadores do passado que não estão registrados na era do vídeo tape, aqueles que precederam esse período, então parece que a memória do jornalista esportivo, ela vai até os anos 70, isto é até onde vai o registro do vídeo tape e ali para. Quando nossa história é muito rica, eu acho que não se dá o devido tratamento a esse aspecto do futebol, que eu reputo muito importante para a própria preservação do futebol, com esse poder de captação de paixões que exerce no mundo inteiro e um dos nutrientes disso é a história, a mitologia em torno do futebol, os mitos, os ídolos, as grandes equipes, os grandes momentos isso tudo faz com que o futebol tenha esse poder de preservação e ampliação

3 ) Qual avaliação faz sobre o trabalho de Ricardo Capriotti e a festa de fim de ano realizada no Espaço Hakka?
Eu não vivo a vida da Aceesp há muitos anos, eu já fui até conselheiro e tal, já tive uma participação mais ativa, mas agora to aqui refugiado na minha caverna em Ibiúna, e não é só a vida da Aceesp que não tenho vivido, mas de todo o resto também. O fato é que o Capriotti é um rapaz maravilhoso, um profissional de altíssima qualidade, tive a alegria de vê-lo nascer aqui no rádio de São Paulo, lá na Gazeta quando eu era diretor, ele começou fazendo plantão no grupo do Osmar Santos, eu fico muito feliz, é um sujeito íntegro, honesto, competente, estudioso, fico feliz que a Aceesp esteja nas mãos do Capriotti. A festa foi uma beleza como sempre, aliás, muito emocionante, sempre legal encontrar velhos companheiros e muito bacana as homenagens feitas aos companheiros mais antigos, acho isso muito bonito e se repita sempre e que o Capriotti fique mais uns 32 anos

4 ) Que recado daria aos jornalistas que estão iniciando sua carreira no mundo esportivo?
O mesmo recado que dou a todos os estudantes de jornalismo que fazem pergunta similar. Jornalismo é ler, ler, ler, ler, escrever, escrever e depois falar. Eu acho que essa é a base de tudo. Muita leitura, se aprofundar no tema central do seu trabalho, mas não ficar limitado a isso. Diversificar sua leitura, cuidar da língua, que esse é o instrumento seja impresso ou falado, não buscar a audiência do público, simplesmente pela aprovação, isto é, não devolver ao leitor, ao ouvinte, ao telespectador aquilo que ele quer ouvir. É preciso o jornalista esportivo, assim como o jornalista em geral, ele tem que em determinados momentos, quando for necessário, ir contrário a corrente, a opinião pública, há uma tendência perigosa, há muito tempo de procurar fazer com que dizendo e escrevendo aquilo que o leitor ou o telespectador quer ouvir, ele cria uma cumplicidade, mas ele cria o que no momento pode surgir como um aumento de audiência, mas ao mesmo tempo ele cria uma cumplicidade que é deletéria no trato entre o jornalista, o cronista e o leitor ou o público, que este, você tem o dever de orientar, e orientar significa até contrariar a opinião pública quando ela se manifesta erradamente, por que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus.


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