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Entrevistas - Soninha Francine
1)Em que momento da sua vida e por quê optou por seguir o jornalismo
esportivo?
Na verdade trabalhar com esportes foi uma das minhas primeiras opções profissionais que eu fiz na minha vida...quer dizer, uma projeção para a carreira quando eu tava na sétima ou oitava série, eu me dei conta que se eu gostava tanto de esporte, se eu era tão mais feliz nos dias de educação física, eu podia fazer daquilo a minha carreira profissional e me preparei desde o fim do ginásio pra fazer vestibular pra faculdade de Educação Física, e qual seria exatamente a minha atuação eu não sabia, mas eu podia tanto ser professora de Educação Física numa escola, quanto trabalhar num clube, numa comissão técnica de alguma equipe. Meu esporte favorito na ocasião era o basquete, que era o que eu jogava mais, que era o que eu tinha mais envolvimento afetivo assim...aí não pude fazer a faculdade de Educação Física quando terminei o terceiro colegial eu tava no fim da primeira gravidez, então tive que adiar os planos da faculdade e acabei nunca conseguindo retomar nem a prática do esporte, nem esse sonho da faculdade de Educação Física, o curso da Usp era em período integral, eu já tinha filha pequena e precisava trabalhar e o projeto acabou nunca dando certo aí fui fazer outras coisas que eu gostava, fui fazer teatro amador, depois faculdade de cinema, lá comecei a trabalhar na MTV, mas continuava amando esporte, e a medida que eu parei de praticar basquete o futebol foi assumindo o primeiro lugar de preferência, fui acompanhando mais e me envolvendo com o futebol e acabou virando o esporte que eu mais curto e acompanho agora, aí por causa dessa paixão pelo futebol, um dia eu fiz um programa na MTV, mas era meio de brincadeira neh, não era um programa sério sobre esporte nem nada, mas por causa daquele programa, eu fui convidada para participar de várias matérias, reportagens, mesas redondas, debates e tal, até que um dia depois de participar de três debates como convidada na Espn Brasil, o Trajano me convidou pra fazer parte da equipe, por que ele achava importante ter uma equipe com perfis muito diferentes, com experiências diferentes, formações diferentes até, ele achava interessante até ter alguém formado em cinema, que fosse trabalhar com comentários de esporte e me incorporou na equipe de esportes da ESPN, então foi quase por acaso, por causa de um programa na MTV que eu nem imaginava que eu fosse fazer, eu acabei voltando a me envolver com o esporte, que era lá a paixão original e o meu trabalho em mídia enveredou pra este lado da mídia esportiva
2)Sofreu algum tipo de preconceito?
Preconceito existe e até um certo ponto é compreensível, por que a gente estranha tudo o que é diferente, estranha tudo aquilo que não ta tão acostumado e na história do futebol, na cultura do mundo todo, exceto Eua, ele se apresenta sempre como uma cultura predominantemente masculina, o que significa que em todos os tempos não tenha havido mulheres gostando de futebol, jogando futebol, acompanhando e torcendo, quando mulheres começam a aparecer na televisão comentando futebol, é compreensível que algumas pessoas estranhem. O que não pode é a pessoa se aferrar a este preconceito e não admitir de jeito nenhum a presença de mulher ou de homem nesse lugar incomum. Se eu falar uma bobagem, a culpa é toda minha, mas as coitadas das mulheres vão todas pagar por isso. Então, é lógico que eu passei por isso algumas vezes, mas surpreendentemente menos do que eu esperava, achei que ia ser mais forte
3)Em que tipo de mídias prefere atuar?
Eu me sinto mais a vontade na televisão, onde tem uma possibilidade de interação, de troca com outras pessoas, com vários comentaristas, com o jogador como convidado, com o público. Eu adoro fazer rádio, por que eu adoro ouvir rádio, acompanhar futebol pelo rádio, mas não é o que eu faço com mais tranqüilidade e conforto, e por escrito não tem o diálogo. Mas eu gosto de escrever
4)Você foi uma das primeiras mulheres a atuar como comentarista? Você se considera pioneira?
Olha, eu fui talvez pioneira de uma nova geração, por que já teve uma outra geração de desbravadoras, a Regiane Ritter, na rádio mulher. Dentro da nova geração eu fui uma das primeiras, e sinceramente, o método de pioneirismo, se tem, é da ESPN, que me escalou no rodízio de comentaristas em pé de igualdade enfrentando os vários tipos de reações do público
5)Qual a avaliação que faz das coberturas esportivas realizadas em nosso país? O que há de melhor e de pior?
Eu acho que a mídia esportiva tem os mesmos defeitos que as outras editorias. Vou dar um exemplo concreto. As peneiras de clubes, os processos de seleção. Todo mundo sabe o quanto existe de manipulação, e as vezes só se repercute assunto se realmente estoura alguma coisa. Aí vai discutir se a namorada do jogador saiu numa revista, coisa irrelevante. Mas isso é problema da mídia comum. Outro questão importante que se deve ficar atento é não apurar direito a informação. Esse esforço de apuração as vezes é meio superficial. Mas um fato bem especifico da mídia esportiva é perder o equilíbrio entre racionalidade e paixão. Você não pode deixar a emoção prevalecer sobre alguma racionalidade e frieza. Um exemplo é a eliminação do Brasil no pré olímpico. Houve praticamente um linchamento público de meninos de 18, 19 anos de idade. Uma execração absurda. A frieza é uma obrigação que o jornalista tem que ter. Existem perfis de veículos. Alguns se propõe a fazer jornalismo mesmo, outros mais entretenimento
6)Quem são os jornalistas esportivos que você admira ou se espelha?
Eu vou falar alguns jornalistas e vou esquecer muitos outros. Como apresentador de programa esportivo e narrador eu acompanhava desde pequena Léo Batista, Osmar, assistia as transmissões com eles, as matérias e os programas e eu gostava muito. O Juca Kfouri eu acompanho há muito tempo, a formação do primeiro e histórico Cartão Verde, Trajano, Armando, Juca, Flávio Prado que era dessa primeira formação...foi um programa super marcante pra mim. Gosto muito do Alberto Helena Jr, adoro o Tostão, óbvio. Gosto muito do José Geraldo Couto, que assim como eu veio de outro caderno, ele trabalhava na Ilustrada e depois veio pro esporte. To esquecendo alguns adoráveis, mas esses são os que vem na minha cabeça nesse momento. Gosto de outros que escrevem também como Luís Fernando Veríssimo. Esses são os principais eu acho
7)Que mensagem você daria aos jovens que pretendem seguir a carreira no jornalismo esportivo?
Como conselho a qualquer aspirante ao jornalismo é muita paciência e persistência, por que não é uma carreira que tem milhões de postos de trabalho abertos...quem dera tivéssemos veículos de todos os tipos e aos montes....mas não temos e a gente não pode desanimar nas primeiras dificuldades....o que eu já tive de emprego na minha vida...até chegar a este que eu to e gosto muito....saber que nem sempre você vai cobrir o seu time...vai cobrir uma Copa do Mundo....é importante saber de tudo isso. Mas mais importante que tudo é você não esqueça o seu ideal, com a imagem de jornalismo que você admira, mantendo suas referências o espírito critico e lutar por isso desde as primeiras matérias. Isso serve para todas as áreas do jornalismo
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